A gente tava lá: Ozzy em BH

By Maio 19, 2018

Ozzy Osbourne, o famoso príncipe das trevas, comedor de morcegos e percursor do heavy metal. Minha história com o inglês é recente, ou talvez não. Sempre ouvi muito as canções dele, mas sem ter noção de quem era.

 

Rock 'n' roll em família 

Dado ao fato de meu irmão mais velho ser um dos seus mais antigos fãs, de revistas com a cara do “madman” e adesivos colados pelo quarto.

Em minha inocência da infância, era só mais um louco de olhos pintados. Porém, a noite de ontem foi, por mim, muito aguardada.

Há quase dois anos, por indicação do Bê, a autobiografia, Eu Sou Ozzy, não saia das minhas mãos. E foi dilacerante e encantador. De leitura simples, coesa e instigante, Ozzy narra toda sua história ao longo dos seus muitos anos de estrada.

Das bebedeiras e turnês inesgotáveis, do abuso de drogas e loucuras do show bizness, e o que mais me prendia a leitura: as inspirações para as músicas e o modo como eram criadas.

Era fantástico e ao mesmo tempo, um tanto quanto assustador. É um livro que sei que vou ler mais algumas vezes em minha vida.

Mais uma entre milhões

E foi aí que o príncipe das trevas me pegou, por conhece-lo melhor, por ter feito com que me cativasse e não só por toda essa loucura, mas pelo que Ozzy Osbourne representa. Por isso o show da noite passada foi um dos dias mais esperados por mim.

Novembro, “Ozzy Osbourne virá ao Brasil para sua turnê de despedida – No More Tour 2 ”, “Sim, nós vamos! ”. Mas, a semana do show chegou e nós ainda não tínhamos ingressos, na verdade só fomos tê-los em mãos um dia antes da apresentação, e a parte boa do nosso inescrupuloso atraso foi o desconto no valor do ticket.

Tentamos chegar o mais cedo possível e quase quatro horas antes do show já estamos nos portões, apreciando nossa bebida favorita, cerveja.

Em meio aos amigos

O show aconteceu na esplanada do Mineirão, e não sei se é da ciência de todos, mas nos arredores do local não existe muito comercio, nem barzinhos, ou locais que suportem a lotação dos eventos do estádio. Bom para os ambulantes que conseguem a brecha para vender seus produtos, inclusive, o famoso tropeiro das barraquinhas.

Faltavam quinze minutos para os riffs, e famosos grooves da guitarra de Zakk Wylde surgirem no palco, e nós já estávamos a postos. Para quem não sabe, essa era a terceira vez que Ozzy vinha a BH, da primeira em 2011 com a carreira solo do cantor, na segunda, em 2013 com o Back Sabbath, mas essa era a primeira que o amigo Zakk acompanhava o mentor nos palcos mineiros.

A noite não era especial apenas para mim, já que em 2011, Bernardo ia pela primeira vez a um show e não poderia ser algo menos espetacular que o Iron Man.

Podemos dizer então, que “Goodbye to romance”, seja a música que melhor descreveria esse momento aos fãs.

Esplanada darkdown 

Mas, ela não estava no setlist da noite. “Bark at the Moon” foi a música de abertura do espetáculo, com morcegos de papel para todos os lados e show de luzes que nos davam a impressão de ter sido transportados para um universo paralelo, onde as trevas predominavam.

Ozzy estava no palco, sim era ele, o mesmo que mordeu um morcego (sem querer), que jogava sangue na plateia, que catapultava anões e voava em motos pelo quintal de casa. Não estava em seu melhor estado físico, era nítido isso. Os cabelos pretos caiam pelo seu rosto e “Mr. Crowley”, saia de sua garganta, com certa dificuldade sim, mais ainda assim, era ele. 

A nevoa no ar e “I don’t know” saia das caixas de som, com as batidas dos cabelos dos “camisas pretas” que ali estavam. De garotos de 17 anos aos senhores e senhoras com mais de cinquenta, todos se rendiam aos gritos de “I DON’T KNOW”.

Estrondo nos ouvidos

Fairies wear boots”, “Suicide Solution” e “No more Tears” foram as músicas da sequência, com a cruz em chamas na tela logo atrás dos músicos, e os solos que faziam os presentes irem a loucura. Na maestria de Tommy Clufletos, atual baterista de Ozzy. E o carisma de Zakk indo até as grades para o êxtase dos sortudos mais próximos.

Aos berros de “ONE MORE SONG” e o medo dos fãs de que o show estivesse chegando ao fim. Lá estava o eterno “Madman” de volta ao palco, algo que soava como: “adeus, meus amigos, estou voltando para casa”. E assim “Mama, I’m coming home” emocionou. Porém, “Paranoid” foi a canção que nos tirou da paranoia de estar em outra dimensão.

No more?

Acabou? Serio? Foi isso? Parecia que ninguém queria acreditar e por um bom tempo a esplanada do Mineirão permaneceu lotada, mesmo depois da certeza de que havia chegado ao fim da apresentação. “No more Tours 2” do português, “Não haverá mais turnês” ainda passará pelo Rio de Janeiro e por todo continente europeu.

Sabemos que Ozzy Osbourne se tornará o legado do rock mundial e esperamos que “No More Tours 2” seja apenas um blefe, assim como foi na década de noventa.

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