A Gente Tava Lá: Sá Guarabyra e Orquestra Opus

By Novembro 17, 2018

A Orquestra Opus se apresentou no Sesc Palladium, e trouxe, mais uma vez, grandes músicos para se apresentarem em um show orquestrado. Dessa vez foram Sá e Guarabyra os artistas que vieram trazer os clássicos da música brasileira.

Foi a primeira vez que a orquestra e os cantores se juntaram em um palco. Porém a ligação parecia ser resultado de uma longa parceria musical. Todos eram parte de uma mesma banda.

Com um trabalho mais recente lançado, “Cinamomo”, os cantores do “rock rural”, trouxeram algumas canções desse último álbum, porém o show foi quase todo composto por “lados A”, aquelas canções que todo mundo sabe cantar.

Falando em fãs, eram bem fiéis. E lotaram a plateia do Sesc Palladium cantando em coro. Além da parte musical, Sá e Guarabyra, presentearam o público com histórias e “causos” que fazem parte das composições. Muitos detalhes e curiosidades acerca das músicas foram revelados aos fãs.

O regente da orquestra, Leonardo Cunha, possui uma presença de palco e um carisma dignos dos outros cantores. Ele conversa e faz piadas com a plateia o tempo todo, além de trazer uma leveza ímpar ao espetáculo.

Conversamos com o Leo Cunha antes do espetaculo começar, o que nos rendeu mais espectativas, já que alguns spoilers do show foram revelados. 

BF- Como aconteceu essa união entre o Sá e Guarabyra e a Orquestra Opus?

LC- Então, o Sá ele mora aqui em BH né?! A gente já tinha se cruzado em alguns lugares, ele já veio no show com o Guilherme Arantes, já tinha encontrado também o Flávio Venturini e formamos uma amizade. Acabamos nos encontrando, e ai rolou a conversa de quem sabe fazermos essa união. Então no show do Guilherme Arantes, deixamos já marcado. E eu tinha essa data, e conversamos a partir disso.

Eles também tinham a disponibilidade, falei : “Ah, vamos fazer isso então” Ai já tem uns cinco, seis meses que a gente acertou essa data.

BF- E o repertório, vocês escolhem juntos?

Isso. Existe uma primeira lista. Eu gosto de trazer sempre aos espetáculos as mais populares as mais famosas, porque o público acaba querendo ouvir isso.  E eles estão lançando um disco novo agora que chama “Sinamomo”, e esse disco, é um disco de regravação de várias outras canções, eles tão fazendo uma nova versão, o Guarabyra hoje até estava no vídeo show, dizendo que agora é uma versão definitiva das canções.

Daí, muitas delas são esse “lado A”. Eles fizeram as canções que eles mais gostam, então muitas delas estão nesse show e eu quis até usar a mesma estrutura, fiz um arranjo diferente, mas seguindo a mesma estrutura pois eles estão fazendo shows de lançamento desse disco. Mas peguei algumas canções também que não estão nesse disco novo, tipo, Roque Santeiro não estava mas não podia faltar né?!

Roque Santeiro, tem mais uma que também não estava. O Sá, por último, falou “Cara, eu estive pensando em duas canções que a gente acha que precisa de orquestra” Eles inclusive me confessaram ontem que nunca tinham tocado essa música em show nenhum.  Eles gravaram, e ai quando você vai gravar você coloca o que quiser dentro do estúdio, para os shows mesmo eles nunca conseguiram levar, até por falta de uma instrumentação assim mais rica. E hoje nós vamos fazer essas duas canções, uma inclusive é maravilha, pra mim, é maravilhosa, chama-se “Barulhos” e tem uma outra canção que ele é mais animada, “Canção dos piratas”, meio quase que Vikking assim, sabe?!.

BF- E para orquestra, voltando agora no show do Dado, qual a diferença para orquestra Sá e Guarabyra e Dado Villa-lobos, que são as canções do Legião Urbana?

LC- Tudo está dentro daquele grande pacote do rock rural, e aquele mais urbano que a legião trouxe. A diferença básica é que o legião urbana usava acordes muito simples, E com isso eu tenho uma possibilidade de reinventar unicamente, muita coisa. Então, muita coisa no show do Legião eu sai aproveitando, e o que era simples eu dava um toque de requinte, aqui e ali. Mas em termos de condução mesmo, era mais linear. Já o Sá e Guarabyra, tem outro tipo de história dá composição música. Ás vezes tem compassos quebrados no meio e isso vai muito em função da palavra.

Como as canções eram escritas, às vezes era necessário colocar uma sílaba a mais e eles colocavam. Aí ficava esse compasso um pouco quebrado para poder completar. Tem a questão do violão, que eles compunham muito em cima do violão. E eu só fui conhecer isso agora, que eu vi os arranjos, eu vi os acordes, ouvia né, no disco, estendi os acordes, então percebia “Eles pensaram no violão”. E eu pegava o violão, e ia tocar aqueles acordes e entendia qual era a lógica, até de movimentação, que eles faziam, era muito mais pensando às vezes numa coisa de experimentação, por que quando você pega o violão e vai brincando e descobrindo acordes diferentes. Em função de uma brincadeira, não é uma procura do tipo, “quero esse acorde aqui”. Então eu descobria como que eles chegaram nessas ideias, “Ah, eles passaram por aqui, foi isso que aconteceu”. É muito legal quando eu trabalho nos arranjos, em cima para entrar um pouco mais na obra dos artistas.   

BF- Apesar do imenso sucesso de Sá e Guarabyra, Sá, Rodrix e Guarabyra também tiveram uma forma enorme de reconhecimento, teremos canções dos três?

LC- Nós vamos tocar uma música do Rodrix. “Mestre Jonas” que era dessa época, do Sá, Rodrix e Guarabyra, É famosa, é emblemática, um clássico do rock, e eles mantém essa música no show deles, no repertório. Mas foi um momento muito importante assim, o Rodrix se separou para fazer uma carreira solo e seguiu fazendo as ideias dele, o Guarabyra até brinca e fala assim, porque o Rodrix era muito agitado né?! Então ele cantava, por exemplo, Mestre Jonas, no tempo muito rápido, “Pó, a gente não conseguia cantar junto com ele, cara, tinha um negócio na língua que ele conseguiu cantar mais rápido que os outros, ele não morreu, a bateria dele que acabou, porque ele era pilhado”.

BF- É, eu gostaria muito de saber como ficaria “Jesus numa moto” orquestrado.

LC- Vai ter, eles tem um medley, que ele fazem “Jesus numa moto” emendada com “Mestre Jonas” mas ai é de uma forma mais calma. Mas a gente guardou para o bis e o “Mestre Jonas” como ela é também para fazer menção ai ao saudoso Rodrix.

BF- E tem algum outro show marcado da Orquestra Opus ainda para o fim deste ano?

LC-Não, a gente vai fazer agora, como eu te falei com o Dado né?! Vai repetir em Nova Lima, no dia trinta de novembro, numa sexta feira na praça Bernardino de Lima. Vai ser um evento aberto ao público né?! Vou começar a divulgar a partir de agora. Nesse ano a gente não faz mais com nenhum artista. O ano que vem estamos pensando em alguma coisa, mas não tem nada certo.

BF- Mas já tem algum nome que você pode antecipar pra gente?

LC- Não sei se eu falo nome, porque depois a gente não consegue confirmar né?! Mas, podemos repetir uns nomes que o pessoal sempre pede. E tem umas conversas com alguns outros nomes, mas acho que eu vou esperar pra não contar algo que não vá realmente se concretizar.

Voltando ao show

Também aconteceu uma grande homenagem por parte de Sá e Guarabyra. Os artistas cantaram “Jesus Numa Moto” e dedicaram à Zé Rodrix. A canção trouxe outro arranjo, mais lento e mesclando partes de “Mestre Jonas”. Uma versão que ficou impecável, e digna de Rodrix.

Ao longo do show fomos surpreendidos com Leonardo Cunha alertando para a presença de Flávio Venturini e Paulinho Pedra Azul nas cadeiras. O regente ainda fez os músicos marcarem show com a orquestra ao vivo.

O momento mais marcante e histórico da apresentação foi quando avisado pelos cantores, que, iriam tocar uma música que jamais havia sido tocada em nenhuma apresentação ao vivo. Belo Horizonte e a Orquestra Opus tiveram a honra de escutar pela primeira vez em um show, “Barulhos”.

Ao final do show, os cantores ainda voltaram para cantar duas canções que não poderiam ficar de fora: “Sobradinho” e “Mestre Jonas”, dessa vez cantada por inteiro.

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