A gente tava lá: Ana Frango Elétrico, Solo Destaque

By Março 13, 2020
Ana frango elétrico em show solo em BH Ana frango elétrico em show solo em BH

O Teatro de Bolso do Sesi Minas recebeu ontem um show que esperamos desde o último show de Ana Frango Elétrico em Belo Horizonte, no final do ano passado. Dessa vez ela vinha em um formato solo: apenas Ana e uma guitarra

 Adoramos o conceito de uma "bossa pop-rock decadente com pinceladas punk" apesar de não ser definitivo ou único o termo. Qualquer outra nomeclatura, nós sabemos; não cabe na sonoridade ou na poesia da cantora por muito tempo. Ainda bem!

A coisa toda foi bem distinta da primeira oportunidade, que, aconteceu em um bar com vários cenários, a banda contava com instrumentos de sopro além de baixo, bateria e por aí vai. Tava todo mundo em pé, dançando muito e com copos de bebida na mão, tentando qualquer tipo de interação correspondida pela banda. (Rolou lá no DoAr)

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No Sesi, apesar de podermos desfrutar de um pequeno bar do lado de fora do teatro, com bebidas de preço acessível (que seja sempre assim), não era o que dava forma ao ambiente. As pessoas pegaram uma ou duas cervejas, e, entraram pela porta colada ao bar, para descobrir um ambiente completamente diferente.

O palco já estava iluminado, a luz ia bem ao centro, onde havia uma cadeira, a guitarra e dois pedais, mais uma garrafinha de água "viva". Nas laterais do palco, fileiras de cadeiras para o público, cinco de cada lado, com cerca de 10 lugares em cada uma. Bem em frente aos tablados tínhamos a mesma estrutura, e era lá que nós estávamos.

ANA FRANGO 2

Foi o lugar mais intimista em que já vimos um show com público pagante. Qualquer "respirada" um pouquinho mais alta dava para ser ouvida. As bebidas do bar podiam ser levadas para dentro, e o acesso era livre para sair e voltar quando quisessem.

Contudo duas coisas não deixavam que isso se sucedesse; o primeiro era o fascínio pela cantora e a naturalidade de tudo aquilo; outro fator pareceu ser a timidez, qualquer movimento parecia atrapalhar a apresentação, ninguém queria ser reparado.

Ao começar o show ficou claro que quase 100% das pessoas sabiam as letras, mas ninguém ousou abrir a boca. "Será que é certo a gente cantar"?

Ana percebeu o quão sem jeito o público estava e após algumas músicas tentou e conseguiu criar alguma descontração. Antes disso, apenas aplausos ao final das canções quebravam o gelo.

A primeira interação veio após a primeira declamação de poema, que pegou o público de surpresa. Com aquele silêncio que tira um "cri-cri-cri" de nós cabeças, Ana lançou um: " E o Coronavírus, gente"?!

ANA FRANGO 4

A reação foi de várias gargalhadas, e um pouco de leveza ao teatro. Ah, e claro, ela também convocou a platéia para cantar as músicas junto dela. A composição seguinte ao pedido foi "Se no Cinema", e, a gente, quer dizer, o teatro todo, foi se soltando, e nessa música já ouvíamos vozes que não vinham apenas do palco.

A canção seguinte foi "Tem certeza?", quem conhece, sabe que não é uma composição que dá pra ouvir sem ao menos cantarolar. Foi a partir daí que o vínculo estava completo. A timidez deixava rastros miúdos. A conversa até ousava a existir dos dois lados.

Os próximos poemas não ficaram perdidos em silêncios incômodos, e Ana falava um pouco sobre o segundo álbum, o Little Eletric Chicken Heart, algumas curiosidades e agradecia parceiros e produção, além de algumas piadinhas dentre uma ou outra canção. Mas, o texto está avançado demais, nem falamos ainda de como Ana Frango Elétrico entrou no palco...

Então, não tem muito o que falar sobre isso. Ela simplesmente entrou, teatro lotado, o palco cercado por todos os lados, eis que de uma das esquinas, ela apenas sobe e pega sua guitarra. A timidez que ainda reinava nessa hora fez questão de que nenhuma reação acontecesse até o final da primeira música.

E por falar nisso, fomos presenteados logo de cara com uma versão de "Saudade" mais ou menos do jeito que ela foi composta. Uma experiência para nossos ouvidos bem diferente da que encontramos no álbum. E as duas empatam em qualidade. No show solo ela teve uma sutileza bem gostosa, e realmente não tinha outra música para iniciar um show nesse formato.

ANA FRANGO 5

A apresentação focou mais no segundo álbum da cantora, como ela mesmo disse que aconteceria, contudo alguns "gatos pingados" de Mormaço Queima também estiveram presentes.

Breve pausa: Pra quem tá lendo o texto até agora sem conhecer nenhum dos dois trabalhos, por favor, escutem os álbuns, eles estão disponíveis no Spotify e outras plataformas digitais.

A segunda música foi "Ciborgue" também do LECH e a terceira já citava seu primeiro disco, "No Bico do Mamilo", seguida de um poema. E o formato do show foi mais ou menos dividido dessa forma.

Ah é. Vale lembrar que essa foi a primeira sessão. Começou às 19 hrs, depois ela teve de voltar e fazer tudo de novo para a apresentação das 21 hrs. Obrigado demais BH, por fazer com que Ana Frango Elétrico esgote duas apresentações no mesmo dia na nossa capital.

ANA FRANGO 1

Como ela mesma gostou de frisar no show, " Não tem ninguém depois de mim, então vocês vieram me ver". E queremos vê-la em outras oportunidades. "Devia ter ficado menos"... Mais.

Ainda rolou bis de música que não tava no repertório. Mas também, "Roxo" não podia ficar de fora do set list. Todos ainda estamos tentando chutar a bola com o pneu da bicicleta.

Depois da primeira sessão ficamos no bar ( não é sacrifício nenhum pra gente) esperando o fim da segunda apresentação para entrevistamos a Ana. Como já viram no nosso Instagram, rolou demais! E semana que vem a gente mostra detalhe por detalhe de como foi.

Última modificação em Sexta, 13 Março 2020 18:32

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