A gente tava lá: Ana Canãs em BH

By Novembro 03, 2019
Ana Canãs na A Autêntica Ana Canãs na A Autêntica

Qual o estilo musical do espetáculo? Rock, pop, funk, blues, mpb, hip-hop, beat... bem, tudo isso, ou nada disso. Talvez só mais um dia de Cañas junto ao palco. A igualdade, sua militância por direitos iguais, a constante luta contra o preconceito era reflexo de seu repertório, que tinha a capacidade de se comunicar com todos.

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A Autêntica, casa noturna de shows, abre portas e resiste a favor da música autoral em Belo Horizonte. Não conseguiríamos encontrar melhor local para tamanha autenticidade, vinda com a apresentação de Ana Canãs.

Mas, antes que acontecesse a performance da cantora, foi momento de outra peça importante, que contribuiu com a magnitude da noite. Era Flávia Ellen, “jogando em casa”. A belorizontina proporcionou para os espectadores um show de abertura à altura. Com uma pegada mais leve, tocou músicas que eram entoadas por grande parte da plateia. Canções daquelas que nos deixam leve, de olhinhos fechados, balançando de maneira suave pro ladinho, sem se importar com quem está do nosso lado, ou nos importando muito.

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Contudo, o ativismo presente na carreira da artista não foi deixado de lado. Além de a temática estar presente em várias composições, os discursos não faltavam para a mineira, que se agarrava em seu violão e era acompanhada por uma guitarra e um contrabaixo.

Pronto! Reinava na noite o clima perfeito para que Ana Canãs subisse aos tablados. De cabelos ao vento. Brilho, cor, e energia. Com ela, gritos de militância vinham da plateia. Ou apenas berros como “Maravilhosa” ou “Casa comigo?”. Sem muitas palavras a não ser as ditas em sua canção, “Respeita” que convenhamos, não precisa de complementos, Ana cantou “RESPEITA AS MINA, PORRA” junto por “todxs” os presentes.

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O show seguiu de maneira muito eclética. Três pessoas formavam a banda ao palco. Além de Cañas, tínhamos uma guitarra e um DJ. Juntos, eles traziam o poder de mudar o estilo musical, buscar referências, jogar tendências, e misturar tudo isso nas canções de modo natural e envolvente.

Qual o estilo musical do espetáculo? Rock, pop, funk, blues, mpb, hip-hop, beat... bem, tudo isso, ou nada disso. Talvez só mais um dia de Cañas junto ao palco. A igualdade, sua militância por direitos iguais, a constante luta contra o preconceito era reflexo de seu repertório, que tinha a capacidade de se comunicar com todos.

A divulgação de seu novo trabalho: “Todxs”, era o pretexto de sua vinda à BH. Um trabalho cultuado, crítico e completamente novo. Um disco conceitual que foca no sexo, sensualidade e feminismo como cerne. A mensagem foi difundida, mesmo quando “Eu amo Você” de Tim Maia, presente na obra e no show foi reproduzida, aconteceu de maneira a casar com sua proposta inicial.

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“Para você guardei o amor” não poderia ficar de fora. Foi a hora perfeita para acalmar, e cantar juntinho. Mas nem só de calmaria se faz um show. “Lambe Lambe” nos mostrou isso, mas antes de explodir a música pela sua voz, a cantora fez questão de dar uma “dica”: “Essa música fala sobre uma coisa que muitos homens ainda não descobriram, mas se liguem! Já tem até tutorial no You Tube”.

“Urubu rei” também fez parte do repertório, e serviu também para lembrar de Marielle, aliás, PRSENTE! A canção que é de outro álbum, “Volta”, de 2012, juntamente com “A onça e o Escorpião”. Como se quisesse nos transportar para algumas décadas atrás, onde o ativismo devia vir entrelinhas, “Tigresa” de Caetano delirantemente e buscando menções atuais também foi lembrada pela artista.  

Com um espetáculo recheado de boas referências e ideias bastante originais, chegou a hora do nordeste ser representado. Com a sutileza e a genialidade de Belchior, “Alucinação” foi o hino escolhido por Cañas para seu bis.

Após vários pedidos, gritos de êxtase, e um discurso da artista sobre a importância e a situação dos nordestinos do país, Belchior surgiu como uma luz no fim do túnel, cultuado e cantado por todos do fundo do peito. Dessa vez, acompanhada apenas de um violão.

Era o ápice perfeito para se terminar o show, não fosse pela brecha mais marcante e emocionante da apresentação. A artista pediu para contar uma curta história, que é também o motivo de todo seu ativismo.

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Era sobre como sua avó, uma imigrante espanhola que sofreu durante duas grandes guerras nas mãos de regimes totalitários. De todo esse martírio, ficou uma canção. Uma música entoada à capela, “La vie em rose” de Édith Piaf.*

Uma composição que ilustra a resistência de seus antepassados e seu desejo de cantar.

*Esse momento do show merece ser visto, sentido. Por isso você consegue assistir em nossas redes sociais por completo.    

  

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