Papo Cultural - Maurinho Berrodágua

By Outubro 22, 2019
Bê entrevistando Maurinho Berrodagua Bê entrevistando Maurinho Berrodagua

Como já tá todo mundo sabendo, mês passado fizemos um bate papo com Maurinho. Aquele Maurinho mesmo, que tocou no Tinastácia, toca com os Mauditos, o famoso Maurinho Berrodágua.

Enfim, foi uma coisa bem descontraída, honesta, e gostosa. Afinal, não tem papo que com uma cervejinha artesanal fica desinteressante. Ainda mais quando o assunto foi sobre influências, música boa, passando pela saída do "Tia", ou Renato Russo como referência poética.

Ah, a entrevista rolou na Estação Lift, em BH mesmo. E nós filmamos, gravamos áudio, escrevemos... coisa transmídia, saca?! Tudo pra gente fingir que é profissional.

E agora mostramos para vocês as coisas que rolaram quando o nível de álcool, ainda, estava considerado aceitável pela sociedade.

Antes de começarmos, queremos agradecer de coração ao Limonada do Estação Lift, Carol e Maurinho, que, tornaram esse bate papo uma das coisas mais legais que fizemos.

Então, vamos nessa?!

 

CC: Força total então no Maurinho e os Mauditos! Porém, teve outra banda que surgiu essa semana agora, né?

MB: Então. Após isso (saída do Tianastácia), apareceram vários convites cara.

A banda do Ficc (Festival internacional de cerveja e cultura), que, não vai ser uma banda exclusiva do festival.  Tem a galera da Harley Davidson que tá montando um grupo de rock para os eventos.

Tem também meu projeto solo, que sou eu no violão tocando minhas coisas. Chama-se o Trovador Solitário.

Um duo, comigo e Leozinho, que é padrinho do meu filho, meu grande irmão, na voz e nos violões.

Um outro convite para banda da Insanidade. Da Casa da Insanidade Mental. Não estou certo de tudo ainda.

Mas, então... essa semana, depois de 16 anos voltei com um projeto. A gente tinha uma banda que se chamava Grotz, eu, Leozinho, Glauco, e Danilo Jovem, que é baixista da Falcatrua.

CC: É uma banda cover, né, dos clássicos internacionais do rock n’ roll?

MB: Isso, Led, The Who, Beatles, só pedreira mesmo. Estávamos tocando eu e o Leozinho.  A galera do bar que a gente estava perguntou se queríamos chamar uma turma para tocar com a gente.

CC: E você está sozinho nos vocais?

MB: Sim... aí rolou uma oportunidade de juntar os amigos. A gente chamou o Danilo. Aí depois que pensamos: "pô, isso aqui é  Grotz".

Fizemos o show, e teve uma aceitação absurda no dia. E agora, no aniversario de 25 anos de música do Glauco, o Grotz vai estar. Ou seja, vai ser a segunda apresentação do Grotz em 16 anos. E por aí já apareceram outras datas, então vamos firmar de verdade.

CC: Fechou uma porta, mas abriram várias outras.

MB: Muitas se abriram para eu poder continuar.

 

 

 

 

 

 

 

 CC: Engraçado, como a morte alavanca a fama de alguns dos "poetas malditos".

MB: Tem uma coisa bacana para mencionar em relação a isso. Não sei quando essa entrevista vai sair... no próximo domingo vai ter a comemoração de 25 anos de música do Glauco Mendes -inclusive já mencionei isso-  . Ele falou exatamente isso.

Me disse que parou para pensar certa vez, estava conversando com alguém no telefone: “Pô, bicho, tô fazendo 25 anos de estrada, eu quero dar um abraço em todo mundo que fez parte disso, não vou esperar eu morrer para nêgo comemorar e vir encontrar comigo, vou fazer isso em vida".

CC: Sim, Belchior foi um cara que passou por isso, rolou o sumiço, a perseguição negativa por parte da mídia, depois que morreu foi quase canonizado, não que já não existe uma grande fama. Mas, depois da morte, foi coisa de louco.

MB: É... isso também não é só do brasileiro. É do ser humano. Van Gogh por exemplo, vivo não vendeu nada. Depois que morreu, são milhões e milhões por um quadro. Morreu na miséria, na míngua.

CC: Sim, no rock tem muito disso, também. Até usar aquela coisa dos 27 anos como marketing.

MB: "Passei dos 27, tô feliz”. Isso é foda né. Grandes nomes nos deixaram com essa idade.

 

CC: “O Riso do Tempo” por se tratar de um trabalho de uma banda paralela  -em uma época que você ainda se encontrava no Tianastácia- obteve espaço para várias experimentações. Algumas coisas diferentes, digamos assim, pois tem uma sonoridade muito exclusiva. O segundo disco continua nessa pegada?

MB: Sim, com certeza, acho isso muito importante.

CC: Mas ele é mais pop que o primeiro?

MB:Poxa, aí você me pegou.... não sei. Você me pegou mesmo! O primeiro é pop?

CC: Não, acho que não.

MB: Não sei se pop mesmo, às vezes mais atual.

CC: É, pode ser uma nomenclatura mais correta.

MB:Bom, então nesse caso, sim. O primeiro tinha muito um “pezão” lá atrás. O produtor até fala disso comigo.

CC: Ele traz uma influência atemporal, uma coisa um pouco vanguardista, eu acho.

MB: Uma certa audácia, você quer dizer?

CC: Sim. Exatamente.

MB: O Barral, o produtor fala comigo: “bicho, nós temos que tirar esses dois pezinhos dos anos 1970, tentar tirar pelo menos um, Maurinho”

CC: (risos) Tira um só então, deixa o outro lá.

MB: Então “Eu vou te ver depois do sol” (segundo disco)  tem a ver com isso. Essa coisa de procurar uma modernidade. Mas não é “agora vou fazer uma coisa moderna, vou fazer uma coisa nova”, é de forma bastante natural. A gente conversa muito dentro da banda sobre essas coisas, e vai aderindo a ideias.

Gosto quando o trabalho da música vai sendo feito dentro do estúdio. Chegar com o esboço e fazer a coisa acontecer a partir dai. É igual um relacionamento, você não sai beijando, não tem tesão nisso, gosto de conversar, do ambiente da conversa. E por aí você vai vendo o caminho que você vai seguir.

 

 

Curtiu? Vem ouvir a matéria na integra em nosso podcast.

Última modificação em Terça, 22 Outubro 2019 23:32

Instagram Casal Cultural