Oscar 2020: Dor e Glória Destaque

By Janeiro 31, 2020

Bastante diferente do que estamos acostumados, Pedro Almódovar lançou Dor e Glória. Seu 21° filme está em grande evidencia na premiação do Oscar 2020. Além de ter sido indicado na categoria de Melhor Filme Estrangeiro, a obra deu oportunidade para Antonio Bandeiras disputar a estatueta de Melhor Ator.

 

Penélope Cruz é outra estrela hollywoodiana que faz parte do elenco. O filme acontece em duas linhas temporais diferentes, e tem como protagonista Salvador. Ora ele é um menino alegre que vive em bairro pobre da Espanha, ora ele é um homem formado, um renomado cineasta assombrado por fantasmas de seu passado, cheio de dores e problemas pessoais, em uma crescente decadência emocional. As duas faces de Salvador se alternam ao longo da narrativa.

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Como disse o próprio roteirista e diretor da obra, Pedro Almódovar, esse foi até hoje o seu projeto mais pessoal. Não é difícil que se faça tal associação logo ao começo da trama. Mesmo que se conheça pouco acerca do cineasta, detalhes e particularidades nos são entregues como que uma real proposta de seu roteiro. Portanto uma conexão de Salvador com Almódovar se torna evidente.

 

A obra é uma espécie de autobiografia muito sutil, que carrega memórias, traumas, e referências de sua carreira. A narrativa, mesmo que com algumas reviravoltas, acontece de maneira linear, digo, no sentido de carregar sua ideia original até o fim, de maneira simples e coesa. O grande trunfo da obra é seu estímulo se comparado à vida real, e a atuação de seus protagonistas que completam a proposta com maestria.

A “glória” não é mais que uma lembrança, como anotações em um diário particular. Ela não é tratada no filme como objetivo principal. O presente é o grande foco de Almódovar, confrontando seus demônios e se colocando como seu próprio objeto de estudo, de maneira crítica, não saudosista. Uma analise pertinente de si mesmo e de um possível fim da vida.

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O filme é bastante melancólico, mas não deixa o cômico de lado, e contracena também com sua infância, que apesar de precária, muito mais alegre que sua vida pós-sucesso. Porém, inevitavelmente Salvador é seu próprio destino.

Com toda a tristeza presente em “Dor e Glória”, é uma obra linda, que nos lembra da habilidade transformação que é inerente à arte. Almódovar converte um diário em talento e questionamento.

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Essa foi uma das agradáveis surpresas que a premiação do Oscar pôde nos proporcionar. Não fosse ainda por Joaquin Phoenix, nossa grande aposta para a premiação seria Antonio Bandeiras, que está impecável.

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