Um adeus víciante, uma despedida elegante. Nosso Acervo - Vício Elegante, Belchior Destaque

By Julho 24, 2020
Vicio Elegante - Belchior Vicio Elegante - Belchior
Belchior e uma de suas últimas experiências na indústria musical aconteceu em 1996, de maneira tímida e pouco expressiva. 
 
 
O álbum, podemos dizer que é o último* de "inéditas" do cantor cearense. O merecimento das aspas na palavra se deve ao fato de apenas uma composição ser de Belchior, esta em parceria com Ricardo Bacelar e dá nome ao trabalho. O restante das 13 faixas são versões de músicas brasileiras além de "Panis Angelicus" para finalizar a obra, um cântico católico tradicional escrito originalmente por Tomás de Aquino, e regravado por diversas personalidades como Andrea Boccelli.
 
 
O disco é muito pouco conhecido, foi gravado e lançado de maneira singela pela Paraíso, gravadora do cantor e pela GPA music. A obra já está há muito tempo fora de catálogo e não é disponibilizada nem mesmo em plataformas digitais como Spotify. Contudo, aos interessados, ele pode ser encontrado na íntegra no YouTube
 
 
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Como Belchior coloca no próprio título, Vício Elegante,  é a roupagem que a obra carrega. Os arranjos são parecidos e dão um toque de requinte, aproveitando a imagem de "latin lover" que o músico carregou involuntariamente ou não durante a década de 1990. 
 
Alguns sucessos da época de seu lançamento foram lembrados, como uma versão de "Esquadros" de Adriana Calcanhoto". As escolhas das músicas passam por vários artistas de diferentes estilos, porém as composições escolhidas vão por um mesmo caminho musical. 
 
Zé Ramalho é mais um dos cantores lembrados com a canção "Taxi Boy (Garoto de Aluguel)". Música que Belchior transforma em um tango, uma das releituras mais diferentes do original, o resultado é bastante original e uma das melhores versões do disco. 
 
É uma obra bastante sentimental, que segue essa linha do início ao fim, além de muito rico em seu instrumental. Contrariando toda a simplicidade de seus grandes sucessos de início de carreira. 
 
A abertura acontece com "Almanaque" de Chico Buarque com arranjo de metais e piano. Ela é seguida então por "Doce mistério da vida" uma versão de "Ah! Sweet mistery of life" por Alberto Ribeiro e eternizado por Maria Bethânia. 
 
As outras escolhas do repertório são "Aliás" de Djavan, "O Nome da Cidade" de Caetano Veloso, "Charme do Mundo" de Marina Lima.
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Ainda fazem parte da obra uma linda versão de "Aparências" de Cury e Ed Wilson que ficou mais tarde famosa na voz de Márcio Greyck - juntamente com "Táxi Boy", acredito ser a melhor releitura do álbum - "Paixão" de Kleiton e Kledir e "Eternamente" de Tunai fecham o disco. 
 
 
A produção e direção ficaram a cargo de Guti Carvalho. Não chega, nem de longe a ser um dos grandes álbuns do cantor. Porém, o objetivo é concluído e Belchior passa por várias facetas da música brasileira sem perder a elegância e seu vício por ela. A única composição autoral prova ainda que ele nunca perdeu sua genialidade, nem mesmo ao fim da carreira. 
 
 
Para a época, e por tudo que Belchior representou, era difícil que não fosse um álbum mais "apagado" em sua carreira, mesmo que as circunstâncias fossem outras, e o poder de alcance maior. Contudo, com um olhar atual e saudosista, passando pelo último trabalho do cantor, é difícil não se sensibilizar e entender a obra. O que faz com que revisitemos por vezes e vezes, até nos viciarmos em toda sua elegância. 
 
 
*Oficialmente o último álbum do artista seria o "Autoretrato" lançado em 1999, contudo conta apenas com outras versões de clássicos de seu repertório.
Última modificação em Sexta, 24 Julho 2020 22:41

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