Nosso Acervo: "Skynyrd's first and... last" Destaque

By Janeiro 24, 2020

Faz tempo que não fazíamos resenha sobre o Nosso Acervo. Dessa vez o gancho para falarmos da obra, é a vinda do Lynyrd Skynyrd para Brasil. Será a segunda vez que a banda irá tocar por terras tupiniquins.  Dessa vez com aquela famosa conversa da “aposentadoria”. Porém ao que tudo indica, a dos “rebeldes do sul” é pra valer.

 

A segunda passagem da banda pelo país teria acontecido em 2017. O festival Solid Rock contava com o grupo, além de Deep Purple e Tesla. Acontece que de última hora, o Lynyrd Skynyrd foi trocado pelo Cheap Trick. A filha do atual vocalista, Johnny Van Zant, teria sido diagnosticada com leucemia, o que fez com que o grupo de Southern rock adiasse a apresentação por tempo indeterminado... até agora.

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O disco do qual vamos falar é o Skynyrd´s First and... Last. Mas, é um álbum póstumo da banda com canções anteriores ao primeiro disco, que, data de 1973. “Como o álbum pode ser póstumo se a banda ainda está na ativa”?

 

Por esta e outras perguntas, vamos começar falando um pouco do Skynyrd! A banda original foi fundada no fim dos anos 1960, e o auge de suas atividades foi nos anos 1970, mais precisamente até 1977. Os fundadores do Lynyrd Skynyrd foram Ronnie Van Zant, o vocalista, Allen Collins e Gary Rossington nas guitarras. Os três formam as peças principais dos primórdios da banda, ficando também com a grande maioria das composições.

 

A banda teve experiência com outros músicos como, Bob Burns, e Rickey Medlocke, dentre outros integrantes.

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Billye Powell ficaria nos teclados com a formação clássica, além de Artimus Pyle na bateria, Leon Wilkeson no baixo e Steve Gaines fechamdo a terceira guitarra e o sétimo integrante do grupo. Steve após sua inclusão na banda se mostrou excelente compositor nos discos do Skynyrd.

 

Essa formação foi responsável por criar alguns hinos do rock que foram difundidos pelo mundo, com sucessos como, “Sweet Home Alabama”, “Free Bird” e “Simple Man”. Além de render discos de ouro e platina, Ronnie Van Zant e companhia fizeram o nome da banda imortal no sothern rock (como costuma ser chamado o rock sulista dos Estados Unidos).

 

O Lynyrd Skynyrd estava com muita moral dentro e fora dos EUA em 1977, quando lançou seu quinto álbum de carreira. Aliás, o “Street Survivors” tinha sido lançado poucos dias antes de um dia que seria fatídico para a banda. Era 20 de outubro quando o avião dos músicos sofreu um acidente, indo para um show. Ronnie Van Zant e Steve Gaines morreram na hora. A irmã de Steve também morreu, ela fazia os vocais de apoio nas turnês. Um membro da produção, o piloto e o co-piloto foram outras três mortes do acidente.

 

Os outros membros da banda ficaram gravemente feridos, mas, acabaram sobrevivendo.  Allen Collins quebrou duas vertebras no pescoço, e teve o braço direito com vários danos. Ele faleceu em 1990, devido uma pneumonia. As complicações foram devidas problemas crônicos resultantes do acidente. Collins foi o único sobrevivente que não voltaria a tocar com o Skynyrd.

 

1977 foi o ano do fim do Lynyrd Skynyrd.

 

1978 foi lançada a compilação póstuma, First and... Last, que contava com composições anteriores ao primeiro álbum. Canções dos anos 1971 e 1972. Nesse disco, em algumas faixas acontece algo curioso, Rickey Medlocke é baterista e compõe e canta algumas canções. Na carreira o músico se destacou como guitarrista e hoje faz parte da formação do Skynyrd.

 

Dez anos após o acidente, em 1987, surgiu a ideia de trazer a banda de volta a vida. Johnny Van Zant, irmão do falecido fundador ficou encarregado de fazer a difícil missão sair do papel. Desde então a banda não parou mais. Em 2006 entrou na lista definitiva do Rock n’ Roll Hall of Fame, e passou por diversas formações até os dias de hoje. A sonoridade mudou bastante, e as letras não tratam dos mesmos assuntos da década de 1970, a postura se tornou mais conservadora, e é difícil comparar com composições de Allen, Gaines e Ronnie. Porém a banda continua lançando material e realizando grandes espetáculos.

 

A formação que vem ao Brasil conta com apenas Gary Rossington de membro fundador. Mas ainda é um grande show para se assistir ao vivo.

 

Depois dessa breve biografia dos “South Rebels”, podemos resenhar um pouco do que é o Skynyrd’s First And... Last.

 

O DISCO

Apesar de ser um compilado e trazer músicas que, em sua maioria, não foram lançadas pela banda, poderia facilmente entrar na discografia por sua qualidade. São 9 canções dignas de seus gênios criativos. A maior parte das composições fica pelos seus três fundadores. Rickey Medlocke tem parte em algumas composições, é o líder vocal em duas e em uma delas, ele assina sozinho. Essa é a grande surpresa da obra.

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A sonoridade é bem parecida com os primeiros discos da banda. Dá pra sentir as raízes do rock sulista americano, algumas canções utilizam bastante o violão dando um toque de “filme de faroeste” na obra.

 

O disco é mesclado em canções bem agitadas, com baladas. As mais calmas são de autoria de Medlocke. As letras são muito bem trabalhadas e mostram um pouco do que estaria por vir.

 

Como letrista, Ronnnie Van Zant era genial, ao lado de Allen Collins. Algumas canções contam pequenas histórias, como é o caso de “Was I Right or Wrong”, que entrou para o segundo disco da banda.

 

Outra canção que foi parar na discografia da banda foi “Things Goin’ On” que possui uma letra bastante política. Feita em uma época que a segregação racial no sul dos Estados ainda era generalizada, a banda questiona essa responsabilidade sobre os políticos, em um tempo que ainda não tinham fama, a banda ousou cantar sobre um período tenso no sul.  A composição foi lançada no álbum de estreia da banda.

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Algo a se reparar no disco é a voz de Ronnie, que, altera muito de uma faixa para outra, assim como a qualidade das gravações. Fica visível que era um momento de experimentações. Contudo, não conhecia até então um compilado póstumo com uma seleção tão boa quanto Skynyrd’s First and... Last.

 

Faixa a faixa

Down South jukin: Bom início para obra, um bom solo de guitarra e uma pegada bem característica das bandas sulistas.

Preacher’s Daughter:  Uma batida bem marcante e uma voz mais grave de Ronnie Van Zant, continua animada. A composição é de Medlocke e VanZant.

Whitedove: A primeira balada do disco. É cantada por Rickey Medlocke, o que dá outra “cara” para a música, em uma simetria do que costumam ser as baladas da banda.

Was I Right or Wrong: Começa lenta, seguida de uma batida. Lembra um faroeste. Uma composição que mostra a qualidade do Skynyrd. A música vai crescendo instrumentalmente, ao final o vocal de fundo só tem a acrescentar. É uma das canções que contam histórias. Essa conta com um personagem que não se encaixava, não era bom na escola, mas queria provar para seu povo, que podia ser grande. Ele consegue fama. Mas, quando volta para casa, seus pais morreram. Ele termina com o questionamento que dá nome para a música. Estaria certo ou errado?

Lend a Helping Hand: Canção característica, a gravação é antiga. A inspiração da sonoridade lembra um pouco a fase “cabeluda” dos Beatles.

Wino: A letra fala de um personagem viciado em bebidas e vinhos. Uma tentativa de alerta de que ele estava acabando com sua vida. Um grande apelo já que a música é toda gritada, e os vocais de fundo imitam uma sirene certa passagem.

Comin’ Home: O vocal, desde o começo mostra as referencias sulistas. O violão é bastante presente e faz uma boa balada.

The Seasons: Outra vez na voz de Rickey Medlocke, e outra balada gostosa de ouvir

Tinhgs Going On: Começa com uma guitarra bem presente, uma batida envolvente, a letra mais crítica do disco. De acordo com fãs trata da segregação racial no sul do país.

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