Bruce Springsteen: Western Stars

By Novembro 27, 2019

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Para quem é fã, ou conhece da obra de Bruce Springsteen, sabe que existe uma diferença gritante entre um trabalho realizado com a famosa banda, The E. Street Band, e seus trabalhos "solos".

 

Realmente, é como se fossem trabalhos de pessoas diferentes. Como se "The Boss" fosse dois artistas ocupando o mesmo corpo e o mesmo cérebro.

 

O primeiro álbum sem a banda - que sempre esteve presente em seus maiores hits como, "Born in U.S.A"- que tive a oportunidade de conhecer foi "Nebraska".

 

Um disco completamente simplista, com letras extensas e um instrumental que varia apenas entre um violão e uma gaita, que vez ou outra se permite a algum novo elemento.

 

As poesias de "Nebraska" são mais pessoais e visitam o passado de Springsteen por meio de seus personagens, porém, dessa vez, a ligação com o jovem Bruce de New Jersey fica

mais clara.

 

Enfim, não estamos aqui para falar desse trabalho. Viemos falar de "Western Stars", o último trabalho do artista. O disco foi lançado em 2019, contudo, o projeto foi pensado e iniciado desde 2010.

 

Trata-se de outro disco solo de Springsteen, no qual a maior parte dos instrumentos foi gravada pelo próprio cantor. Porém é uma obra completamente diferente do simplista e maravilhoso "Nebraska".

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Do ponto de vista musical, é um trabalho muito mais audacioso. Com um "requinte" diferente de todos os álbuns solo já realizados por Bruce Springsteen. Apesar de detestar a "requinte", a achar ambígua, injusta e pretensiosa, não consigo adjetivar de forma diferente.

 

Várias faixas são orquestradas, ou possuem corais para completar as composições. O som é completamente limpo, simplesmente limpo, com um perfeccionismo até excessivo.

 

Todos as 12 composições não funcionariam melhor do que interligadas em uma mesma obra. É usada uma mesma narrativa em todas elas, o que as fazem únicas estando juntas.

 

Como o próprio nome pode indicar, o álbum flerta bastante com o country, principalmente com as baladas do gênero.

 

As composições, apesar de refletir um momento da vida do cantor -como ele mesmo assumiu, algo que sempre acontece em seus álbuns- focam em personagem, como é comum nas músicas de Springsteen.

 

As letras demonstram os dilemas e a vida de pessoas simples, em uma perspectiva da população mais "interiorana". São canções que destacam a nobreza de tais vivências, além de trazer um olhar positivista e esperançoso apesar de todos os problemas e dificuldades.

 

Western Stars é daqueles discos que você ouve uma primeira vez e acha bom, mas só vai se maravilhar com ele aos poucos. Algumas coisas podem passar despercebidas, e ao longo do convívio passa-se a admirar e prestar atenção na riqueza de detalhes, e algo sútil e mágico. Dando chance ao álbum, lá pela sua terceira ou quarta vez, será um trabalho muito mais bonito.

 

É um lado de Bruce Springsteen muito interessante de se conhecer. Até então não consigo lembrar de uma obra que tenha sido similar. Reflete uma fase bastante madura do compositor. Vale lembrar que em nada lembra a E. Street Band, a qual Bruce já confirmou que está confirmada para o próximo trabalho de estúdio seguido de uma turnê mundial.

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A produção é de Ron Aniello e o próprio Springsteen. Algumas vezes, ao longo do disco, o instrumental simula os barulhos de um trem de forma bastante sútil que traz uma beleza única, principalmente na faixa "Tucson Train" onde é mais perceptível.

 

Várias faixas são daquelas de se apaixonar a primeira vista, porém, juntas, ouvidas em sequência possuem um poder maior.

Última modificação em Quarta, 27 Novembro 2019 17:56

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