Ana Frango Elétrico - Musicalmente Abstrata Destaque

By Novembro 19, 2019
Ana Frango Elétrico - Little Electric Chicken Heart Ana Frango Elétrico - Little Electric Chicken Heart

 

Vez ou outra o Casal Cultural aparece por aqui pra apresentar coisas não tão desconhecidas assim, mas que ao nosso ver já deveriam ser anunciadas ao mundo. Dessa vez não foi diferente, desta vez o "no sense" tomou conta dos nossos ouvidos na voz de Ana Frango Elétrico. Vem conhecer!

Que nome diferente, não ? Bem... Foi o que pensamos ao ficarmos sabendo de um show que aconteceria em Belo Horizonte. Fomos convidados, e o nome - diferentão - despertou de cara nossa obstinada curiosidade.

Um dos benefícios de viver em uma era circundada de informações e tecnologias de instantaniedade é justamente a ambiguidade de seu malefício: viver em uma era circundada de informações e tecnologias de instantaniedade. Portanto, fomos o mais rápido possível recorrer ao YouTube.

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A primeira canção que ouvimos era "Roxo". Clipe fruto de uma faixa de seu primeiro álbum, "Mormaço Queima". A música nos pegou de surpresa. Os trinta segundos que correram pós canção foram de silêncio total.

Alguma vez teríamos ouvido ou por acaso assistido algo como "Roxo"? Talvez, similar... Sim. Mas nada igual. Ana consegue trazer vida a uma pintura. É como se pitadas de surrealismo pudessem ser plugadas em um fone de ouvido e escutadas de maneira nítida e real.

Todo um conceito é trazido com suas autorias. Referências? Várias delas. Tanto que não podemos dizer se é Bossa, Pop, Rock, ou até mesmo samba. Quer dizer, podemos sim! É tudo isso. Tudo isso misturado em uma forma única.

Após "Roxo", fomos clicando faixa a faixa, depois do término da primeira, e descobrimos quase que toda a (ainda) curta carreira da artista. Fomos guiados pelo seu trabalho mais novo. O show de Belo Horizonte seria divulgação de seu novo álbum: "Little Eletric Chicken Heart".

Faixa a faixa

Escutamos todas as nove faixas que solidificam a obra. "Saudade" é a responsável por dar boas vindas ao ouvinte, com uma letra curta, instrumental carregado de sopros, e muitas vozes auxiliares ela dá um toque cantante que nos leva para a segunda canção ainda estarmos pensando no "parapapapa"!

"Promessas e previsões" e "Se no Cinema" seguem com uma entoada única porém linear, com pontos levantam a voz e ao mesmo tempo nos acalmam. As letras trazem muito do non-sense. Mas, afinal, existe coisa mais non-sense que escrever de maneira simples e clara?!

"Tem certeza" é daquelas faixas que nos trazem diversão. Uma canção alegre com um toque contagiante. Mas ela não é só isso. "Chocolate", a faixa seguinte, continua a narrativa do disco, acalmando um pouco dos ânimos da faixa predecessora.

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Uma "Vinheta" chega para dividir o álbum entre dois momentos da obra. Esse segundo instante é inaugurado com "Torturadores", a composição mais melancólica de "Little Eletric Chicken Heart", porém bastante necessária, e uma de nossas preferidas. É sempre bom pesquisar nome de torturadores, afinal, "os netos e porteiros têm todo o direito de saber.

As duas últimas faixas invocam a vontade de deixar o disco rolar mais uma vez. "Devia ter ficado menos" nos transporta para uma sonoridade um pouco "lúcida" da qual nos despertamos por um momento de "abstrata loucura", ou dependendo do nosso ponto de vista, o contrário também é real.

"Caspa" a última canção, é simplesmente transformar a agonia de um problema emocional, adicionar humor e transformar em poesia.

Dessa maneira termina a segunda pintura audível com que Ana nos presenteou.

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Conheça Ana Fainguelernt

O início da carreira de um artista é uma fase que na maioria das vezes é marcada por muitas comparações, principalmente das alusões o criador carrega em sua bagagem. Nada disso é justo.

Voltando ao diferente nome. Após ouvir tudo isso, não consigo enxergar outro melhor, algum outro que rompa com tudo, que crie tamanha curiosidade e que se posicione como um título singular.

Podem tentar empurrar rótulos de estilos musicais de Ben Jor, ou pescar algo com Yoko Ono- uma admiração assumida da artista- mas estes continuaram como orientação, apenas.

Podem até etiquetarem como uma "Acid Rita Lee", mas o mais legal de Ana Frango Elétrico é que desde seu prelúdio ela é Ana Frango Elétrico.

 

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Última modificação em Terça, 19 Novembro 2019 23:56

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